Fim de semana em Ponte da Barca.
Depois duma noite bem dormida na casa quentinha, apesar do estranhar da cama que sendo conhecida, é diferente da do Porto, acordei com um dia luminoso e o despertar para a rotina deste cantinho do mundo.
O ritual do café da manhã, a volta pelo jardim, o banho e a saída para a ronda pela Vila da Barca.
No percurso olhando a paisagem há sempre um recanto desconhecido que chama a atenção e desperta uma curiosidade de busca pelo desconhecido.
Interessante, porque embora o percurso seja o de sempre o olhar e ver mostram novidades escondidos noutras ocasiões.
Hoje um telhado escondido no arvoredo que despertou a curiosidade de fazer um desvio. E valeu a pena porque deparamos com uma casa enorme de um só piso rodeada por um jardim enorme, numa ladeira e com uma perspectiva de paisagem, invisível da estrada.
Brinco com a velha frase: Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si…
Depois da voltinha conhecida, do meio almoço com um pão tostadinho e crocante, que faz as delícias destas manhãs, voltamos e seguimos para Ponte do Lima.
Interessante porque estes dois destinos costumam ser para dias diferentes, mas hoje havia uma chamada especial.
Em Ponte do Lima, descemos à pracinha e anunciava festa os dois coretos a ocupar parte da praça.
Gente domingueira e diferente da população habitual.
Por estas bandas, há sempre festa nos fins de semana com foguetes música em altifalantes e romarias.
Sendo cerca de duas dúzias de freguesias no Conselho, há Santos que cheguem para todas e não se fazem rogadas para festas populares.
No Verão são as desfolhadas, no inverno os Santos populares.
E ficamos para apreciação do ambiente e do que viesse.
O ambiente na Pracinha mudou e é o espelho da ocasião. As gentes mudam e criam ambientes bem característicos de acordo com o vestuário os penteados e os chapéus ou bonés!
O ambiente de festa, foi logo anunciado por grupos de mulheres nos trajes regionais do Minho e dois coretos na praça.
Escolhemos um local com boa perspectiva, ainda havia, e ficamos apreciar o movimento das gentes.
Poucas pessoas habituais que já conhecemos destes domingos na leitura dos jornais, e fazem parte do conhecimento local, mas nestas ocasiões especiais aparecem os domingueiros barulhentos, e gente nova em grupos com as conversas e movimentações que alteram a rotina e fazem desaparecer as pombas do pedrado da praça.
No começo da tarde chegam os músicos, ainda em pequenos grupos trazendo os instrumentos da banda como troféus, eles e elas vão ser os reis da festa e sentem-se orgulhosos disso.
O desfile dos instrumentos característicos das bandas populares, muitas Flautas, Fagotes, trompetes, trombones, sexafones, pratos, xilofones, clarinetes e pífaros. O Carrilhão que deu o seu solo, foi montado antes no Coreto.
Esta a mudança radical dos tempos actuais, o grande numero de mulheres que constituem as bandas.
Dantes as bandas tinham apenas homens e rapazes como músicos.
Lembro os tempos de criança, nas festas tradicionais e procissões em que estavam presentes e faziam concertos nos coretos do largo da Igreja.
Na minha terra havia duas bandas, em lugares opostos da freguesia e era conhecida a competição e rivalidade entre os músicos.
Aqui, chama a atenção os elementos muito jovens, com as suas caixas, e flautas reluzentes.
Os músicos vão se juntando junto aos coretos, uns de fato azul completo, os outros de calça preta e camisa branca.
De repente afastam-se todos e algum tempo depois aparece a 1ª banda entrando na praça marchando e tocam homenageando os colegas, frente ao coreto concorrente.. Recolhem ao seu coreto e fazem os preparativos.
De seguida partem os outros e repete-se o espectáculo.
Gostei imenso desta apresentação e homenagem mútua.
Começaram rigorosamente às 16h e durante a tarde tocaram á porfia …
Claro que quer a escolha das peças quer a regência foi diferente e não foi por acaso.
Uma banda mais jovem tinha um regente também mais jovem que além da escolha do reportório era ele próprio um espectáculo pela amplidão dos gestos e prendeu a atenção da banda e do público.
Foram muito aplaudidos, e mereceram-no.
Houve desfile dos ranchos, que actuaram noutro local junto à Igreja, com as danças regionais, que quase coincidente com a música a população teve de fazer opção entre as duas actuações.
Foi pena porque já não tive tempo para dar ao pé num vira do Minho.
Parte da população presente, eram forasteiros da região, com fatos domingueiros, mas identificativos e tradicionais.
Algumas mulheres com as tradicionais saias pretas e blusas brancas, poucas com os seus puxos bem apanhados, agora quase todas usam cabelos curtos, os homens mais velhos com chapéu ou bonés serranos e as botas cardadas.
Mas estão presente muitos jovem o que não é vulgar durante o ano.
No fim da tarde o Pôr do Sol com as cores laranja a reflectir no rio, completou este domingo diferente e deu o toque final que me encheu de prazer, deixou leve e fez prolongar o sorriso até tarde.
15-03-2009
formiguinha
Mg
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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